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terça-feira, 31 de março de 2026

Agustina, Camões, Pessoa E Saramago

Para o espaço, nada menos que um conjunto de estrelas. Da literatura neste caso, já que receberam nomes de escritores famosos quatro dos seis satélites que Portugal colocou em órbita esta segunda-feira: Camões, Agustina, Pessoa e Saramago.

Trinta e três anos depois de o PoSAT-1 ter provado, em 1993, que o país de navegadores também sabia ler as estrelas por via eletrónica, o dia de ontem marcou o lançamento mais ambicioso da nossa história. A bordo do foguete Falcon 9 da SpaceX, que descolou da Califórnia às 12h02 (hora de Lisboa), seguiram meia dúzia de satélites portugueses - os primeiros elementos das constelações Atlântico e Lusíada - símbolo do início de uma nova era de soberania sobre o nosso mar e os nossos dados.

Liderada pela Força Aérea e inserida na Agenda New Space Portugal, a operação colocou em órbita os primeiros quatro satélites, da LusoSpace, de comunicações marítimas, e que pretendem criar o verdadeiro “Waze dos oceanos”, numa referência à aplicação de navegação por GPS usada no trânsito. Como explicou Ivo Vieira, diretor executivo da empresa, “vamos permitir que qualquer navio no meio do mar possa ter comunicações a um preço muito acessível”. Ou seja, criar “uma rede de internet marítima”, que permita a partilha dos "dados que há no mar”, desde “icebergues à deriva” a “derrames de petróleo”.

Os outros dois satélites, um da Força Aérea e outro do Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA), pertencem à constelação do Atlântico, que vai ter dois usos - civil e militar. O primeiro, com capacidade para obter imagens da superfície da Terra, em qualquer ciscunstância; o segundo distinguindo-se por ter uma resolução muito alta, permitindo uma observação pormenorizada do planeta.

Se o PoSAT-1, o pioneiro "pai" de todos os satélites nacionais lançado pelo consórcio de Carvalho Rodrigues, era um prodígio de sobrevivência que resistiu comunicável até 2006, estas novas unidades são máquinas de alta precisão. Equipados com tecnologia SAR (Synthetic Aperture Radar, radar de abertura sintética, em português) ), conseguem ver através das nuvens e vigiar o Atlântico de dia ou de noite, garantindo que o que se passa na nossa Zona Económica Exclusiva deixa de ser um mistério para ser um mapa em tempo real.


O investimento de 15 milhões de euros na constelação Lusíada (em grande parte vindo do PRR) não é apenas vaidade tecnológica. É a resposta ao isolamento que sofremos durante décadas, desde que o PoSAT-1 ficou mudo. De mero utilizador, Portugal passa, portanto, a ser um fornecedor de inteligência geoespacial. como foi sublinhado no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, onde o lançamento foi transmitido em direto. Razão tinha Camões, ao enaltecer a ambição portuguesa, que não se detém na linha do horizonte: "E se mais mundo houvera, lá chegara."

Mafalda Ganhão no Expresso

domingo, 10 de dezembro de 2023

Inveja?

Percebo as palavras perfeitamente contextualizáveis do Sr PM que se confessa ateu, se assim não fosse não falaria num pecado mortal. Eu não invejo coisa nenhuma nem ninguém, apenas lamento não conseguir escrever poesia com um décimo de qualidade da que foi escrita por Camões, Pessoa, Yeats, Milton (etc, etc) e mais modernamente por Cobain, Cave, MacGowen, Dylan (etc,etc). 

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Vou-lhe Chamar "L"

Bonita, educada, simpática, aluna do 9º ano. Alguém lhe disse que eu sabia inglês e que a podia ajudar. Em menos de nada percebi que tal não era possível, a sua cabeça estava formatada pelo "eduquês". Algum dia perceberá Saramago, Eça, Pessoa e outros? Duvido, é demasiado "certinha" para colocar em causa a mentira vendida pelos donos da verdade... 

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Entre O Sono E O Sonho

Entre o sono e o sonho,

Entre mim e o que em mim

É o quem eu me suponho,

Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,

Diversas mais além,

Naquelas várias viagens

Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito

A casa que hoje sou.

Passa, se eu me medito;

Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre

No que me liga a mim

Dorme onde o rio corre —

Esse rio sem fim.


Fernando Pessoa (1933)

terça-feira, 12 de julho de 2022

Detesto Que O Governo Me Trate Como Se Eu Fosse Um Imbecil II

Talvez senso comum não fosse má ideia, torrar dinheiro num oficioso ministro da propaganda (com resultados até ao momento nulos) é desperdiçar dinheiro que deveria ser aplicado em coisas úteis, pelo salário mínimo faço igual ou melhor do que o Sr que ganha mais de 4 mil euros mês - Não estou armado em "bom" nunca farei nem de perto nem de longe o mesmo que CR7, Hamilton. Djokovic, Pessoa, Eça, Shakespeare, Da Vinci, Hitchcock, Van Gogh e muitos outros, mas estou muito habilitado para ganhar um salário chorudo para fazer trampa ou coisa nenhuma...  

quinta-feira, 14 de abril de 2022

A Viúva De Uma Pessoa

Artigo de Ricardo Araújo Pereira publicado na Revista do Expresso no passado dia 8

O acontecimento literário do ano foi o momento em que o presidente do Eurogrupo disse que tinha estado em Portugal com a viúva de Pessoa. Quem despachou a ocorrência com uma gargalhada perdeu a oportunidade de reflectir sobre uma declaração tão cheia de subentendidos que não sei se é possível captá-los todos. Em primeiro lugar, devemos recordar o célebre verso, escrito por um elemento daquela equipa que costumamos designar por “Fernando Pessoa”: “Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?” Sempre pensei que Álvaro de Campos estava apenas a ser implicativo: ninguém queria saber do seu estado civil, julgava eu. Afinal, sempre há quem queira vê-lo casado. E logo o presidente do grupo que reúne os ministros das Finanças da zona euro, de quem mais depressa esperaríamos que quisesse ver o poeta tributável. Sendo Fernando Pessoa, na verdade, um colectivo, haveria muita gente para taxar.

Em segundo lugar, o caso deu origem a uma injustiça pesada. Muita gente condenou Fernando Medina por não ter corrigido o presidente do Eurogrupo. Devia ter dito imediatamente que aquele encontro com a viúva de Pessoa não poderia ter ocorrido, uma vez que o poeta nunca tinha casado. O que significa que Medina, coitado, nunca acerta: se fornece dados privados a autoridades estrangeiras é criticado; se não fornece é mais criticado ainda. Não é fácil agradar a esta gente.

O terceiro aspecto interessante é o seguinte: rapidamente se descobriu que o presidente do Eurogrupo não tinha estado com a viúva de Pessoa, mas sim com a viúva de uma pessoa. E que essa pessoa era José Saramago. A excitação com que ele descreve o encontro é um tanto suspeita. “Foi um dia fantástico”, disse ele. Mas a razão pela qual lhe agradou tanto estar com a viúva de Saramago não é clara. Gostou de estar com a mulher que conviveu com o escritor, ou com a mulher que já não convive com o comunista? A viúva recordou-lhe a vida do autor de grandes obras ou a morte do grande crítico do euro? O motivo da alegria é o amor à literatura ou à moeda única? É um daqueles mistérios literários que ficará para sempre. 

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Algumas Curiosidades Do Mundo Da Música CXVI - António Variações

Nasceu António Ribeiro em 1944 mas morreu como António Variações em 1984. Como escrevi a propósito dos seus 2 únicos discos de originais que publicou (este e este) foi um verdadeiro OVNI na moderna música popular lusa, devido ao seu arrojo a todos os níveis, onde a "paixão" por Amália e Pessoa eram óbvias. Foi sempre genuíno e nunca renegou as suas origens profundamente humildes: era um dos 12 filhos do casal Deolinda de Jesus e Jaime Ribeiro camponeses em Fiscal (Concelho de Amares), o qual começou a trabalhar com 11 anos tendo tido vários empregos (balconista, caixeiro, p.ex) até se ter tornado barbeiro. A (re)descobrir "ontem"

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Disco - Dar & Receber

2º e último disco de originais de António Variações o qual foi lançado em 1984. Mais um "OVNI" como aqui escrevi onde a excelência do músico é algo de dificilmente questionável no seu estilo único. Fernando Pessoa teria ficado surpreendido.



segunda-feira, 14 de setembro de 2020

António Costa Tal Como Fernando Pessoa Terá Heterónimos?...

O que é que o cidadão António Costa fez nos seus 59 anos de vida que justifique a sua presença numa Comissão de Honra? Zero. Se entrarmos no campo político as coisas mudam radicalmente: Entrou na Juventude Socialista com 14 anos, foi membro da Assembleia Municipal de Lisboa, nr 2 no Governo de José Sócrates, Ministro (com José Sócrates e anteriormente com António Guterres), Deputado, Eurodeputado, Presidente da CML, sendo actualmente Secretário Geral do PS e PM.  Diga o Sr PM o que disser o único motivo para estar na comissão de Honra de Luís Filipe Vieira é político

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Escrita (Muito) Criativa III

Na sequência. Não çabes fazer nada, sempre vives-tes às custas do dinheiro da tua família, o qual é mais que muito (as más línguas dizem que provém de negócios obscuros) mas iço nada interessa, o fato é que tens dinheiro aos pontapés. A rapasiada que manda lá na tua terra axa que deves patrocinar um concurso de literatura (o que te garati-rá o teu nome numa qualquer rua ou rutunda depois de morto e tu axas bem, um gajo mesmo morto deve ser reconhecido pela sua jenealidade), mas axas que o dinheiro deve premaneçer na família e convidas o teu primo que ainda excreve e fala pior do que tu para participar. Escolhes o júri, do qual és o prasidente e o teu primo ganha por hunanimidade. No teu discurso final (escrito por um ghostwriter) elojias a maravilhoza escrita do vençedor, a  qual em nada fica atráz de Peçoa, Camãos, Saramagro, Augustina, Troga e outros excritores, os quais nunca les-tes...

P.S. - Nenhum post sobre Escrita (Muita) Criativa é baseado em qualquer caso real, tudo é uma invenção criativa, sendo o autor quase analfabeto...

domingo, 8 de dezembro de 2019

Alma

Não vou perder tempo sobre o tema "reencarnações", apenas sei que sempre que escrevo (aquilo a que chamo poesia) penso sempre (vá-se lá saber porquê) em Pessoa e Yeats, evidentemente que não sou a reencarnação de nenhum deles, quem me dera ter 1 milésimo do seu talento...

D. Sebastião Rei de Portugal

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

Poema original de  Mensagem



quarta-feira, 22 de maio de 2019

Isto É Nosso - 31- A Brasileira

É um dos mais míticos cafés de Lisboa e do País - A sua fundação remonta a 1905 e inicialmente dedicava-se a vender café vindo do Brasil e outros produtos como por exemplo o azeite. A partir de 1908 começou a servir café (não é consensual mas alguns afirmam que foi aqui que nasceu a expressão "bica"). Ao longo do tempo foi diversificando a sua oferta. Local de várias tertúlias intelectuais teve Fernando Pessoa como um dos seus mais famosos clientes. Desde 1988 que o poeta tem uma estátua sua em Bronze à entrada do estabelecimento,  da autoria de Lagoa Henriques 

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Disco - Corações Felpudos

Mão Morta em 1990 - 13 temas ao todo onde Adolfo Luxúria Canibal e restante banda demonstram toda a sua estética muito peculiar: O "clássico" guitarra, baixo, bateria convive pacificamente com o piano, teclados, contrabaixo, sanfona, sintetizador, percussão e saxofone, tudo enquadrado pela escrita nada linear do Dr Macedo (o qual completará 6 décadas este ano)...




P.S. - Talvez um dia publique os meus "poemas cinzentos e  negros", em homenagem a Pessoa que está na lista negra dos "novos fascistas", os quais fingem que são democratas ...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Um Dia Vai Correr Mal

Mário Machado na TVI incomoda o governo, censura a Pessoa não incomoda o governo, festas gay é algo que o nosso governo acha perfeitamente normal, aliás até se candidata a organizar as mesmas -  A denominada extrema direita cresce? Claro que cresce, a não denominada extrema esquerda anda a brincar de forma lamentável com pessoas moderadas, as quais um dia se fartam e desatam a votar em Bolsonaros, Trumps e outros - Por cá anda tudo calmo, mas um dia destes as coisas mudam 

Em Novilíngua Censura E Omissão São Uma E A Mesma Coisa

Patético - Nada obrigava o manual a publicar a "Ode Triunfal" de Álvaro de Campos, mas publicando o poema o mesmo nunca deveria ser amputado. Grosso modo é como autorizar a visualização de O Caçador omitindo a cena da roleta russa que corre mal, Psycho omitindo a cena da banheira, Os Rapazes Não Choram omitindo a cena em que Hilary Swank fica sem cuecas, Laranja Mecânica omitindo as inúmeras cenas de violência, Carrie omitindo a cena do balneário e por aí fora - Sem as referidas cenas ninguém compreenderá os filmes -. Recomendo a leitura daquilo que escrevi neste post

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

José Saramago

Foi laureado com o Nobel da Literatura a 8 de Novembro de 1998, tendo recebido o prémio a 10 de Dezembro desse ano, faz hoje 20 anos. Este blog que não gosta de "Bücherverbrennung" e de qualquer tipo de totalitarismos recomenda alguns (entre outros) dos seus livros: Ensaio Sobre a Cegueira, História Do Cerco De Lisboa, O Ano Da Morte De Ricardo Reis"