Para o espaço, nada menos que um conjunto de estrelas. Da literatura neste caso, já que receberam nomes de escritores famosos quatro dos seis satélites que Portugal colocou em órbita esta segunda-feira: Camões, Agustina, Pessoa e Saramago.
Trinta e três anos depois de o PoSAT-1 ter provado, em 1993, que o país de navegadores também sabia ler as estrelas por via eletrónica, o dia de ontem marcou o lançamento mais ambicioso da nossa história. A bordo do foguete Falcon 9 da SpaceX, que descolou da Califórnia às 12h02 (hora de Lisboa), seguiram meia dúzia de satélites portugueses - os primeiros elementos das constelações Atlântico e Lusíada - símbolo do início de uma nova era de soberania sobre o nosso mar e os nossos dados.
Liderada pela Força Aérea e inserida na Agenda New Space Portugal, a operação colocou em órbita os primeiros quatro satélites, da LusoSpace, de comunicações marítimas, e que pretendem criar o verdadeiro “Waze dos oceanos”, numa referência à aplicação de navegação por GPS usada no trânsito. Como explicou Ivo Vieira, diretor executivo da empresa, “vamos permitir que qualquer navio no meio do mar possa ter comunicações a um preço muito acessível”. Ou seja, criar “uma rede de internet marítima”, que permita a partilha dos "dados que há no mar”, desde “icebergues à deriva” a “derrames de petróleo”.
Os outros dois satélites, um da Força Aérea e outro do Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA), pertencem à constelação do Atlântico, que vai ter dois usos - civil e militar. O primeiro, com capacidade para obter imagens da superfície da Terra, em qualquer ciscunstância; o segundo distinguindo-se por ter uma resolução muito alta, permitindo uma observação pormenorizada do planeta.
Se o PoSAT-1, o pioneiro "pai" de todos os satélites nacionais lançado pelo consórcio de Carvalho Rodrigues, era um prodígio de sobrevivência que resistiu comunicável até 2006, estas novas unidades são máquinas de alta precisão. Equipados com tecnologia SAR (Synthetic Aperture Radar, radar de abertura sintética, em português) ), conseguem ver através das nuvens e vigiar o Atlântico de dia ou de noite, garantindo que o que se passa na nossa Zona Económica Exclusiva deixa de ser um mistério para ser um mapa em tempo real.
Sem comentários:
Enviar um comentário