A empresa fez recentemente 50 anos. Liga Lisboa a várias localidades da margem sul (Berreiro, Montijo, Cacilhas, entre outras). Estima-se que a empresa já tenha transportado mais de mil milhões de passageiros desde a sua criação (estamos a falar de 20 milhões por ano, aproximadamente 55 mil por dia). Quando vivia em Lisboa utilizei várias vezes os seus serviços, tive sempre viagens tranquilas com uma vista "de luxo"
terça-feira, 31 de março de 2026
Agustina, Camões, Pessoa E Saramago
Para o espaço, nada menos que um conjunto de estrelas. Da literatura neste caso, já que receberam nomes de escritores famosos quatro dos seis satélites que Portugal colocou em órbita esta segunda-feira: Camões, Agustina, Pessoa e Saramago.
Trinta e três anos depois de o PoSAT-1 ter provado, em 1993, que o país de navegadores também sabia ler as estrelas por via eletrónica, o dia de ontem marcou o lançamento mais ambicioso da nossa história. A bordo do foguete Falcon 9 da SpaceX, que descolou da Califórnia às 12h02 (hora de Lisboa), seguiram meia dúzia de satélites portugueses - os primeiros elementos das constelações Atlântico e Lusíada - símbolo do início de uma nova era de soberania sobre o nosso mar e os nossos dados.
Liderada pela Força Aérea e inserida na Agenda New Space Portugal, a operação colocou em órbita os primeiros quatro satélites, da LusoSpace, de comunicações marítimas, e que pretendem criar o verdadeiro “Waze dos oceanos”, numa referência à aplicação de navegação por GPS usada no trânsito. Como explicou Ivo Vieira, diretor executivo da empresa, “vamos permitir que qualquer navio no meio do mar possa ter comunicações a um preço muito acessível”. Ou seja, criar “uma rede de internet marítima”, que permita a partilha dos "dados que há no mar”, desde “icebergues à deriva” a “derrames de petróleo”.
Os outros dois satélites, um da Força Aérea e outro do Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA), pertencem à constelação do Atlântico, que vai ter dois usos - civil e militar. O primeiro, com capacidade para obter imagens da superfície da Terra, em qualquer ciscunstância; o segundo distinguindo-se por ter uma resolução muito alta, permitindo uma observação pormenorizada do planeta.
Se o PoSAT-1, o pioneiro "pai" de todos os satélites nacionais lançado pelo consórcio de Carvalho Rodrigues, era um prodígio de sobrevivência que resistiu comunicável até 2006, estas novas unidades são máquinas de alta precisão. Equipados com tecnologia SAR (Synthetic Aperture Radar, radar de abertura sintética, em português) ), conseguem ver através das nuvens e vigiar o Atlântico de dia ou de noite, garantindo que o que se passa na nossa Zona Económica Exclusiva deixa de ser um mistério para ser um mapa em tempo real.
segunda-feira, 30 de março de 2026
Trump
É sempre uma "caixinha de surpresas". São cerca de 116 milhões de litros de petróleo e a preço de mercado aproximadamente 79 milhões e meio de Dolares
Escrita (Muito) Criativa CCCXX
Continuando Eu like mucho Portugal e los Portugiesisch. Não understand manifestaziones pelo direito a habitation por people que não vive na rua, na verdade são manifestations promovidas por partidos cuja votação é cada vez menor nas urnas...
domingo, 29 de março de 2026
Bateristas De Excepção LXVII - Eleni Nota
Eleni Nota ao vivo em 2024. A grega nasceu em 1994, começou a tocar piano aos 7 anos e bateria aos 12 e nunca mais largou esse instrumento. É uma executante conhecida pela sua velocidade, precisão e energia, algo natural mas desenvolvido com muito estudo numa Universidade de música em Atenas.
A Quantidade De Pantomineiros
Que aparecem todos os dias na TV é assustadora. Os das alterações climáticas são os mais surreais (em tempos falavam de aquecimento global, mas quando perceberam que tal "narrativa" era facilmente "desmontável", mudaram o "chip"). Juro que não tenho paciência para esta gente que se acha dona da verdade, sem (porque não querem) perceber que o planeta ao longo da sua longa existência sofreu inúmeras alterações com ou sem homens. Não sou "negacionista" (como se diz) mas também não sou parvo...
F1 2026 III
Pole no Japão para Antonelli. Uma bela corrida (a partida de Piastri é fabulosa) a mostrar que a Mercedes "está por cima" neste início de Mundial - Antonelli venceu (volta mais rápida) e Russell foi 4º. A McLaren deu um "ar da sua graça": Piastri em 2º (depois de não ter alinhado nas 2 primeiras corridas) e Norris em 5º. A Ferrari está melhor face a anos anteriores mas ainda falta algo: Leclerc foi 3º e Hamilton 6º. A Alpine está bem, Gasly foi 7º, a Red Bull anda "perdida" (Verstappen foi 8º e Hadjar apenas 12º). A Racing Bulls está quase ao nível da Red Bull - Lawson foi 9º . A Haas somou mais um ponto após o 10º lugar de Ocon. Este GP (o qual teve 1 Safety Car e 2 desistências - Bearman e Stroll) confirmou que 2 equipes estão em termos de performance "abaixo de cão" - Cadillac e Aston Martin. A F1 só regressará em Maio com o GP de Miami nos EUA:
Top 5
Pilotos; Antonelli (72), Russell (63), Leclerc (49), Hamilton (41), Norris (25)
Construtores: Mercedes (135), Ferrari (90), McLaren (46), Haas (18), Alpine e Red Bull (16)
sábado, 28 de março de 2026
Em Abril Não Vamos Ter F1
Uma tristeza. Os GP´s do Bahrein e Arábia Saudita foram cancelados devido à guerra. Alguém ganha com isso? Admito que sim, mas são mais os perdedores do que os vencedores. 100 milhões de dolares é o prejuízo estimado
Escrita (Muito) Criativa CCCXIX
Continuando. Num çou o fulano mais enteligente do mundo, mas num çou tutalmente extupido. Quando me dizem que o melhor çítio pra meter gasoleo no carro é Alguidares de Baixo, dado que nesse çítio o gasoleo custa menos 5 centimos pro litro do que custa no lucal onde vivo acho porreiro pá, o purblema é que vivo a 200 quilometros de Alguidares de Baixo, e como dizia um antigo PM é çó fazer as contas.
sexta-feira, 27 de março de 2026
Protestar É Legítimo
Protestar assim é um desrespeito por pessoas com fragilidades económicas e por quem trabalha.
Este Fim De Semana Temos F1 (173)
Algum piloto conseguiu a única vitória/pódio da sua carreira na corrida de estreia? Sim, Giancarlo Baghetti em 1961. Após essa vitória o melhor que conseguiu foi um 4º lugar
quinta-feira, 26 de março de 2026
Os Reguladores Que Nada Regulam
Especulação? zero, apenas coisas secundárias . Já o escrevi e repito, os reguladores em Portugal respondem à voz do dono, e funcionando assim devem ser extintos - São inúteis e caros e sendo caros e inúteis (passe a redundância) servem para nada e não servindo para nada (mais uma redundância) devem ser extintos
quarta-feira, 25 de março de 2026
IA? XXXIV - Contra Elo 400
Continuação. Gosto da análise, claramente críticas construtivas quando aplicáveis e elogios certeiros.
José Maria Ricciardi 1954 - 2026
Em tempos tínhamos banqueiros, hoje (regra quase geral) temos bancários a fazer de banqueiros...Economista de formação foi administrador do BES e um dos maiores críticos do seu primo Ricardo Salgado (em tempos o alegado "dono disto tudo") o qual destruiu o banco. Descanse em Paz
Muito Bom (Não Se Deixem Enganar Pelo Título)
Pedro Mexia no Expresso (dia 20 deste mês)
Pornografia
Os Cure tendem a ver os objectos
como aguarelas que se desfazem
19 março 2026 22:57
Apornografia ajuda. Não a
carnavalização da anatomia e do desejo, mas uma outra forma de trazer à luz o
obsceno. Com tanta alegria oficial, exibicionismo, hedonismo, já poucos se
atrevem a enfrentar o sentimento trágico da vida. Seja a melancolia e o luto,
seja a confusão, o medo, o desespero. Isso constitui hoje uma espécie de
pornografia, porque propõe uma imagem alternativa, admite que não somos
fantásticos, que o mundo nos decepciona, que o sofrimento é a única certeza.
Não sei porque é os Cure intitularam o seu quarto álbum “Pornography”, mas
admito que fosse para opor esse discurso “pornográfico”, o da tragédia, à
pornografia da felicidade.
“Seventeen Seconds” (1980),
“Faith” (1981) e “Pornography” (1982), os álbuns mais consensuais da banda,
formam uma trilogia de música depressiva, mais do que deprimente. Porque o
inegável negativismo destes discos não deixa em baixo quem os ouve; é mais provável
que quem os ouve procure a pornografia do sofrimento, mais do que a pornografia
da felicidade, fazendo com que as canções funcionem como empatia e companhia.
Os saturninos são estóicos, mas não é grande sacrifício suportar o gelo quando
se é esquimó.
“Pornography”, álbum de 1982 da
banda The Cure
“Pornography” foi o álbum que
mais ouvi nos últimos meses. Podia alegar, e alego, que gosto das melodias e
harmonias dos Cure, da dinâmica instrumental, da conjugação entre o baixo
ominoso e a percussão intensa, da reverberação atmosférica, dos devaneios
vocais. Mas aprecio sobretudo a nitidez desfocada dessas canções, à imagem da
fotografia na capa do álbum. Como é que uma imagem desfocada pode ter nitidez?
Isso é como perguntar como é que um objecto pode ser representado pelo
impressionismo, o expressionismo, o cubismo, etc. Além da materialidade
reconhecível das coisas, há uma distorção propositada que imita a maneira como
um “eu” individual vê um objecto. E os Cure tendem a ver os objectos como
aguarelas que se desfazem.
O catálogo da banda é um catálogo
de pesadelos ou projecções. Quando a primeira canção de “Pornography” começa,
memoravelmente, “It doesn’t matter if we all die”, toda a gente estranha o “it
doesn’t matter”; mas a noção de que vamos todos morrer, isso não nos apoquenta,
continuamos como se não importasse. Será aquele “if we all die” a consequência
de uma acção específica e evitável? Mas então o “it doesn’t matter” é niilismo
ou truísmo? Enquanto ‘One Hundred Years’ e ‘A Short Term Effect’ descrevem as dores
do mundo, à Schopenhauer, e o efeito dessas dores, a marcial e inquietante ‘The
Hanging Garden’ desvirtua uma das “maravilhas da Antiguidade” (os jardins
suspensos de Babilónia), deambulando entre uma mascarada onírica e animalesca.
E no fim podemos imaginar que “hanging” vem de “forca” ou “cadafalso”, que
estivemos no “jardim dos enforcamentos”. Em ‘Siamese Twins’, por sua vez, o
verso “I chose an eternity of this”, acentua a existência de escolhas, mesmo
quando negamos que sejam escolhas, e a canção não progride musicalmente, como
se fosse um castigo feito de imagens. A extraordinária ‘The Figurehead’
apresenta-se com um enigma verbal: “Sharp and open, leave me alone.” O que é
afiado e aberto? Uma pessoa? Um canivete? É com um canivete que pedimos que nos
deixem em paz? Que paz será essa? Ou isto é somente uma fantasia nocturna,
ilegível como uma gárgula, ou um inferno barulhento, ou a maldição de uma
insónia? E o final, “I will never be clean again”, que polução ou poluição é
esta? “Clean” no sentido de “limpo” ou de “puro”? Conceito físico ou moral? E o
que é que aconteceu para ficarmos com uma mancha indelével?
‘Cold’, um tema fortíssimo,
garante-nos que “eyes like ice don’t move”, dois substantivos líricos reduzidos
à imobilidade. E quando chegamos ao tema “Pornography”, adequado a uma ficção
labiríntica de David Lynch, que pornografia não-explícita é esta, que carapaça
indistinta afoga as vozes com vozes, rasura ruídos com ruídos? E que dizer da
referência a uma doença inominada, seguida da injunção “find a cure”?
P.S. - O disco foi aqui ouvido